ficção científica,  fantasia e terror

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Marcelo Ribeiro

Sábado, 9 de Maio de 2009

conto A Fuga de Alexandre Santos Lobão no blog do Bar do Escritor.
conheçam!

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Quero morrer nos seus braços

Baseado na música Nos braços da Vampira
de Zumbis do Espaço
Vento gelado. O luar rasgou a noite como uma espada de luz ao surgir do ventre de negras nuvens. Germano estranhou a curvilínea mulher que quase flutuava. Os seios fartos, os cabelos esvoaçantes e a brancura mórbida da pele chamaram mais sua atenção que o calafrio solitário na espinha.
Ela sorriu. As presas reluzentes e ameaçadoras assustariam qualquer pessoa, porém o rapaz sentiu apenas impaciência, uma sensação de falta de tempo, como se findassem todos os temores e preocupações. A inusitada situação deveria atormentá-lo, contudo, mal podia compreender o que acontecia. Os pensamentos se concentravam na mulher à sua frente. Já sofria os feromônios da vampira, que lhe afetavam o discernimento provocando uma urgente atração por ela.
- quero sentir o seu corpo. – Escutou a própria voz sussurrando, quase implorando, enquanto recebia o gélido abraço que o confortava como a morte aos moribundos. O hálito de predador, ardido e podre, não combinava com aqueles lábios suculentos, um encantador sorriso de prazer e sedução. – seus dentes no meu pescoço.
Ela atacou voraz, fincou os caninos na jugular pulsante, profundamente, até ejacular o fluído vital, o néctar rubro que a alimentava. Sentiu a energia escorrer pela garganta, uma overdose de heroína, orgasmos em todas as células, a percepção da transcendência amaldiçoada que permitia roubar a essência dos outros para perpetuar sua vida. Ou meia-vida.
Germano sentiu, brevemente, os pensamentos da vampira, no momento em que ela sorriu pelo prazer da caça:
“Nossos sangues se encontram
As trevas nos esperam”
Ele sofria como se um incêndio se alastrasse pelo pescoço, queimando e apodrecendo parte por parte as veias, daí a carne e depois de todo o corpo. Era como se morresse, contudo, não tranqüilizasse a alma, a podridão alcançava algo mais profundo, sua essência era transformada pela maldição daquele monstro que o assassinara. Um espasmo final arrancou a última esperança, ele viu que não pertencia mais ao mundo dos mortais.
- quero estar sempre ao seu lado. – Os sentidos de vampiro afogaram Germano com flashes de visões, cheiros e pensamentos. A miríade de novas experiências, de possibilidades inimaginadas, o atordoou, e o atraiu como nunca pode imaginar. A visão perdeu o foco, atingiu um ponto distante no futuro, fazendo-o perceber todo o poder daqueles seres. Era uma sensação maravilhosa de prazer sem risco, mas também sem emoção. – quero ser o seu escravo, vampira.
Ele não se importava mais com nada. Só suplicava, íntimo, alcançar a vida eterna como um servo daquela atraente mulher. Os flashes se tornaram mais coerentes, ele viu que compartilhava os pensamentos da mestra. Foi puxado por um turbilhão de imagens, flutuou até encarar um rosto gigantesco da vampira. Sobrancelhas inclinadas numa bela face pálida emolduravam olhos injetados que o convidavam a conhecer seus mistérios, eram como portais para o orbe esquecido de sua espécie. Germano os atravessou, inebriado, e se descobriu num mundo em pedaços. Por todos os lados havia túmulos violados, em que antigos vampiros sugavam os cadáveres até os ossos, buscando o último resquício de energia vital.
A visão tremelicava em sua mente, ele sentia aquela fome absurda por sangue, os sentidos, ampliados, facilitavam a compreensão do que a mulher queria lhe transmitir. “Se todos os infeccionados se transformarem, logo este mundo será como aquele de onde vim”.
- você veio do espaço, vampira. – Ele balbuciou. Placidamente aceitava o terrível destino. A revelação o tranqüilizava, até o excitava, entendia a irrefreável compulsão da vampira, a solidão de suas necessidades. O breve momento que compartilhou daquela mente alienígena quase validava o que lhe acontecia. Sua vida era encerrada da forma mais sensual que ele agora podia imaginar. – quero morrer em seus braços, vampira.


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a letra:

Nos Braços Da Vampira
Ela veio junto com o vento
Com os seus cabelos negros
Suas presas reluzindo
Já não temos mais tempo

Quero sentir o seu corpo, vampira
Seus dentes no meu pescoço, vampira

Nossos sangues se encontram
As trevas nos esperam
Sei que não pertenço mais
Ao mundo dos mortais

Quero estar sempre ao seu lado, vampira
Quero ser o seu escravo, vampira

Vampira
Quero ter a vida eterna
Quero ser o seu escravo
Quero morrer nos seus braços

Sombrancelhas inclinadas
Em uma bela face pálida
Vários túmulos violados
O mundo em pedaços

Você veio do espaço, vampira
Quero morrer nos seus braços, vampira

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

O Louco

“Por aquela época eu vivia profundamente perturbado, mergulhado em um universo de delírio e loucura, pelo menos de acordo com o julgamento dos outros, que me consideravam, com certa razão, levando-se em conta as circunstâncias,nciasvando-se em conta as circunst com o julgamento dos outros, que me consideravam, com certa razão, vítima de uma nebulosa esquizofrenia. Talvez agora não venha ao caso, no entanto, creio ser absolutamente necessário descrever tudo o que ocorreu naqueles dias que aparentam estar estranhamente longínquos, para que se esclareça o porquê de me considerarem um esquizofrênico.

Trabalhando em uma deprimente repartição pública, em certo dia que tinha tudo para ser insuportavelmente monótono como todos os outros, passei a perceber em meus colegas de trabalho, em todos eles, algo como uma sombra funesta que pairava sobre suas costas. Alarmado com tão espantosa visão, observei com mais atenção aqueles vultos. Notei, então, que não eram somente sombras, pois pude divisar o formato de um rosto deformado, pavorosamente monstruoso, repulsivo. Não apresentavam propriamente um corpo, mas algo como um amontoado de nuvens negras, fumarentas. Sobre elas ficava a cabeça dos “seres”, que era imensa e diabólica. Os olhos eram doentiamente amarelados, completamente redondos e de uma expressão repelentemente perversa, lacrimejantes de um líquido escuro e gorduroso. Quanto mais atenção eu dispensava na observação dos malignos rostos, mais detalhes escabrosos iam surgindo. Possuíam dentes encardidos e pontiagudos, lábios finos e ressecados e a boca levemente aberta, da qual escorria uma gosma purulenta. Sua pele era grossa e avermelhada, impregnada de verrugas, nódoas, estrias e saliências odiosas. Havia em sua cabeça sete pequenos chifres totalmente negros, e entre eles, algumas mechas de um cabelo grosso, acinzentado, de horrível aspecto. Suas orelhas eram disformes, enormes e imundas; o nariz, grande e pontiagudo, com imensas narinas sujas. Quando deixei de fixar minha atenção, todos esses detalhes desapareceram daquelas coisas demoníacas, e os diabos retornaram a uma aparência de simples sombras.

Inexplicavelmente, tais visões só ocorriam com colegas de trabalho, pelo menos até o 5° dia. Sim, porque permaneci por exatos 5 dias sofrendo a desgraça de contemplar coisas tão absurdas e monstruosas. Então, como disse, no 5º dia a situação se modificou... para pior. Passei a divisar os vultos asquerosos em todas, em absolutamente todas as pessoas que via, em qualquer lugar, a qualquer hora. Porém, no dia seguinte, tudo cessou de forma tão inexplicável quanto iniciara. Eu, que estarrecido não tive coragem de comentar com ninguém minhas visões, decidi, agora que para meu alívio haviam acabado, fazê-lo para alguns amigos. É claro que todos ficaram muito preocupados, não pelas visões em si, mas por julgarem ser um início de loucura, que eu estava sofrendo um surto esquizofrênico. Obviamente, não concordei com eles e não consultei um psiquiatra, como me foi sugerido.

Na semana seguinte ao sucedido, tive um pesadelo em que conversava com aqueles monstros de minhas visões. Não me recordo da maior parte dos diálogos que macabramente travamos, mas uma frase afirmada por um deles ainda permanece nítida em minha memória: “Nós somos o futuro da humanidade, somos criações de vocês, somos vocês mesmos.”

Não voltei a ver aquelas coisas, seja em sonhos ou durante a vigília, mas outros acontecimentos no mínimo estranhos se sucederam... Cerca de um mês após o fenômeno, exausto de trabalhar mecanicamente naquela repartição miserável, decidi pedir demissão. Na verdade, não nascera para aquele tipo de serviço robótico e idiotizante. Sou uma pessoa de temperamento sensível, sonhador e apaixonado, e antes não ter um emprego do que suportar a tortura diária de 8h de um trabalho inútil, imbecil, estúpido, desumanizante. Após minha saída da repartição, principiei a realizar caminhadas pelas ruas da cidade, tendo uma sensação de vida e liberdade que há muito não sentia. Nelas, por conseguinte, passei a contemplar todas as casas, pátios, jardins, animais, árvores, pessoas, enfim, todas as coisas e seres de uma forma totalmente diversa da que fizera até então. Observava-os de maneira muito mais profunda, intensa e detalhada, com bem mais sensibilidade e imaginação do que o normal da vida comum e mecanicista, sempre imersa em problemas frívolos e insolucionáveis do dito “Homo sapiens”. Nessas contemplações era como se eu pudesse captar a alma, a essência dos meus objetos de observação, e percebia, nesses instantes, como rica e profunda é a vida universal, que nós, em vãos racionalismos, não percebemos ou simplesmente negamos. Mas tais verificações frementes e inusitadas não foram somente... digamos... luminosas... Disse que os humanos que por mim passavam também eram detidamente analisados. E assim, pude ter um vislumbre puramente intuitivo de que algo não estava bem nas pessoas que observava. Havia uma indescritível decadência sendo irradiada de suas faces, uma sensação de total inconsciência, indiferença, estupidez e insensibilidade. Aquilo me impressionou intensamente, e ainda tive a certeza de que os humanos não percebiam conscientemente o próprio estado lamentável em que eu os via. Nas caminhadas subseqüentes, tal sensação arrepiante e negativa tornou-se ainda mais contundente, e ainda sinto calafrios quando digo que, algumas vezes, pude verificar nos indivíduos aquela mesma expressão diabólica e repugnante dos monstros das minhas antigas visões absurdas.

Nos dias seguintes, reduzi o número dos passeios e também minhas observações foram bem menos significativas. É que, transtornado pelas lúgubres percepções, já não buscava analisar tão a fundo o que via. Contudo, um outro tipo de percepção, ainda mais fantástica, principiou a assolar meus torturados sentidos. Quando saía para caminhar pela manhã, mesmo que o dia estivesse esplendidamente ensolarado, em seguida passava a escurecer, e por todos os lados, norte, sul, leste e oeste formavam-se negras e carregadas nuvens de terrível tempestade. Avistava hercúleos relâmpagos, ensurdecedores trovões feriam meus ouvidos, e tudo indicava que a tormenta desabaria em questão de poucos minutos. Porém, isso nunca acontecia, e o cenário tempestuoso perdurava até o anoitecer, quando então se dissipava. E isso ocorreu todos os dias, durante duas semanas. Todavia, com um pequeno detalhe: somente eu via a formação da tempestade. Nos primeiros dias, naturalmente, alertava sobre o fato a amigos e conhecidos que encontrava nas ruas, mas todos, sem exceção, retorquiam-me com algo do tipo, “Tormenta? Tu estás ficando louco? Com esse sol? Nem nuvem tem no céu! Estás delirando?” Meus amigos mais íntimos insistiam no fato de que eu estava realmente enlouquecendo e deveria consultar urgentemente um psiquiatra. Mais uma vez, não dei ouvidos a seus conselhos.

Passado o período das visões de tempestade, como ninguém acreditava em mim, não toquei mais no assunto. Semanas depois, ainda desempregado e já com dificuldades para sobreviver, decidi sair e caminhar em direção a um belo descampado que quando menino eu freqüentara, e que ainda se mantinha preservado. Ali, tranqüilo, na companhia dos inocentes seres da natureza, sentia-me em quase perfeita paz. Digo quase, porque no fundo ainda ardia a febre daquela paixão, ainda recordava-me com saudades dos olhos da minha amada que, não sei por que eu pressentia, jamais iria voltar a contemplar, e, naquele instante, eu soube que nunca beijaria seus lábios, ou tocaria em seu rosto, ou pegaria em sua mão, até porque, isso eu também pressentia, nela não havia amor para ser-me correspondido... Finalmente, em sonhos e tristezas, adormeci sobre a relva.

E então, quando acordei, já estava aqui, neste lugar feérico e muito estranho, sendo observado por ti. Já contei-te minha história, como pediste. Agora, quero que contes a tua. Quem és tu? Que lugar é este, o que faço aqui? Enfim, o que aconteceu?”

“Tudo o que falaste, nessa língua estranha que necessitei mentalmente traduzir e assimilar, e agora posso comunicar-me contigo no teu próprio idioma, não tem nenhum cabimento. Quem são os outros de quem falaste? Quem são os “humanos”? São todos iguais a ti? De que povo falas? Neste planeta não há nada, a não ser plantas e animais estranhos. Eu e meus companheiros, nestes últimos dias, exploramos todo este mundo e não vimos nenhum sinal de civilização, de qualquer tipo de povoação, de quaisquer resquícios de um dia ter sido habitado. Nem mesmo sinais de destruição foram identificados. Tu és o único ser inteligente que encontrei, adormecido sobre um gramado. Para que tu não te assustasses e fugisses caso avistasses minha real forma corpórea, tomei a liberdade de assumir uma constituição física semelhante à tua. Mas se contas tão insólita história, deves conhecê-la realmente; de algum lugar tu vieste, talvez de um local de um passado remoto, muito remoto. Só não sabemos como sobreviveste, e somente tu, mais nenhum membro dos teus “humanos”. Mas faremos mais investigações. Ah... a propósito... esqueci de te dizer... encontramos este objeto. Consegues identificá-lo? Humano? Tu estás me ouvindo?”

“Sim, sim, só estou tentando entender o absurdo que acabei de ouvir. Acho que enlouqueci mesmo, não pode ser isso a realidade... O objeto? Deixa ver... parece um pedaço de uma placa de metal... tem algo inscrito... 000-RS-Brasil”.

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Híbrido

conto dedicado à memória de Arthur C. Clarke

Não posso morrer.

Fui alterado geneticamente por extraterrestres, que me tornaram um híbrido de humano e os habitantes de um planeta longínquo da galáxia que eu nunca soube qual é, mas sinto que fica na extremidade do Braço de Órion, onde também se localiza nosso Sistema Solar.

Por quê eu? Eu era um agente da Interpol que acabou sabendo demais a respeito do contato íntimo entre extraterrestres e governantes e fui punido por isto, ao insistir em continuar minhas investigações.

Conspiração envolvendo extraterrestres? Sei que o leitor vai torcer o nariz, acreditando que sou mais um esquizofrênico defensor da idéia de que os governos mantêm relação secreta com alienígenas, realizando algum tipo de colaboração científico-militar.

Mas, acredite, é mais ou menos isto.

Na verdade, quando o Exército americano localizou a primeira espaçonave extraterrestre, no Alasca, em 1917, ainda durante a Primeira Guerra Mundial, portanto trinta anos antes do que se acredita até hoje, ela foi levada para um laboratório secreto de uma das bases militares americanas locais, onde passou a ser estudada cientificamente.

Porém, sete meses depois, uma equipe de resgate complanetária exigiu de volta a máquina e seus cadáveres, em alto e bom inglês sintetizado. Os militares, que nunca haviam obtido nenhum documento ou identificação dentro da espaçonave, porque naquela época ninguém sabia acionar equipamentos quânticos, blefaram, dizendo que haviam traduzido as informações, onde haviam descoberto uma guerra entre aquele povo e um outro, pelo controle das riquezas das estrelas ricas, como o nosso Sol e seus planetas cheios de produtos químicos diversos e atraentes para civilizações originárias de estrelas antigas e sua meia dúzia de elementos.

O blefe extraordinário foi criado pelo General John McVeigh, nomeado pelo governo americano como negociador com os extraterrestres. General McVeigh ameaçou: “Transmitam-nos toda sua tecnologia ou tornaremo-nos aliados de seus oponentes. Se nos fizerem qualquer questionamento sobre nossas descobertas ou o estado da nave e dos corpos dos tripulantes, nós os destruiremos imediatamente”. A equipe de resgate pediu um tempo para analisar a ameaça.

General McVeigh sabia que os alienígenas poderiam descobrir a qualquer momento que aquilo não passava de conversa fiada. Por isso McVeigh ordenou que não fizessem perguntas. Como por exemplo, o nome da civilização inimiga. O simples fato de que exigiam não fizessem perguntas já era um indício do blefe. Por isto, os militares americanos apressaram-se em encontrar cérebros bem-dotados que pudessem decodificar as possíveis informações registradas na nave.

Equipamentos mais sensíveis permitiram aos cientistas perceber que havia uma tênue atividade eletromagnética em determinados setores do painel da espaçonave, o que deu a eles a idéia de convidar físicos quânticos para examiná-la.

Ora, os melhores físicos quânticos da época viviam na Alemanha. Agentes secretos do Exército americano investigaram estes físicos, tentando descobrir algum que tivesse interesse em migrar para a América e trabalhar com eles. Mas como realizar este tipo de convite sem que os alemães em guerra percebessem? Não iriam colocar um anúncio no jornal.

Os americanos selecionaram quatro cientistas desacreditados na comunidade acadêmica germânica. Homens considerados excêntricos e criadores de hipóteses improváveis. Entre os quatro, escolheram Karl Von Grüberar. Solteiro, sem filhos, jovem, suas teses de mestrado foram reprovadas em três universidades alemãs e ele passou a viver em reclusão, deprimido, tentando o suicídio por duas ocasiões.

Os agentes seqüestraram Von Grüberar e o levaram para o Alasca. Disseram a ele que seria o
único capaz de decifrar aquela máquina extraterrestre.

- Os cientistas nunca acreditaram em mim. Por que vocês acreditariam?

- Porque o Exército não tem nada a perder. – respondeu o tenente responsável pela segurança de Von Grüberar.

Empolgado, o alemão solicitou alguns materiais, construiu alguns equipamentos e com a ajuda de um imã, um lápis e um caderno, escreveu um relatório de quase cem páginas.

- Isso é tudo? – perguntou McVeigh.

Com um sorriso misterioso, Von Grüberar hesitou na resposta, mas encerrou:

- É tudo.

E General McVeigh compreendeu naquele sorriso que não era tudo o que Von Grüberar havia descoberto sobre a espaçonave, mas apenas o que ele resolveu contar aos outros terráqueos.

Por ordem de seus superiores, McVeigh mandou buscar Von Grüberar em seu alojamento. Faria o possível para retirar todas as informações da mente do cientista. Mas quando o tenente que o guardava entrou no alojamento, o alemão estava morto, com os pulsos cortados. Ao lado de seu corpo, apenas um bilhete: “Enviem saudações a Heisenberg”.

Heisenberg, criador do Princípio da Incerteza da Matéria.

As saudações jamais foram enviadas, pois os alemães jamais souberam do paradeiro de Von Grüberar, nome que jamais foi pronunciado em qualquer faculdade de física quântica, deixado na vala comum do esquecimento de milhares de cientistas como Karl Von Grüberar.

Porém, as 97 páginas do relatório do alemão serviram para que os americanos retificassem a ameaça. McVeigh estava certo. O maior blefe da galáxia. Os donos da nave que estava em mãos terráqueas de fato estavam em guerra, tanto quanto os humanos.

Os americanos iniciaram uma colaboração com os extraterrestres, mais ou menos como todos imaginam. Não é a toa que até hoje as Forças Armadas Americanas possuem a tecnologia mais avançada do mundo. Tecnologia que às vezes é colocada em domínio público, em pequenas gotas, a fim de acalmar os ânimos dos exaltados paranóicos defensores da idéia sem fundamento de que o Exército americano mantém colaboração científica com extraterrestres. Um exemplo foi a descoberta da freqüência infra-vermelha. A nano-onda quase foi anunciada, mas os militares decidiram continuar mantendo-a em segredo. Pois se um pequeno país do terceiro mundo onde 80% das pessoas passam fome conseguem construir uma bomba nuclear, sabe Deus o que aconteceria se os americanos colocassem em circulação uma tecnologia tão simples e barata como a nano-onda.

A diplomacia interplanetária americana, no entanto, quase veio abaixo, quando os inimigos de nossos aliados descobriram o Planeta Terra nos anos 60 e iniciaram pesquisas de campo para entender os humanos.

Os americanos tiveram que reagir imediatamente. Os Estados Unidos da América, através da CIA, passaram a corromper governantes e patrocinar golpes de Estado ao redor do mundo, a fim de que todos os países combatessem os alienígenas inimigos e mantivessem segredo sobre atividade extraterrestre na Terra.

Muita gente recebeu propina. Cuba e o Vietnã foram as moedas de troca com as quais os americanos negociaram com os soviéticos, preparados para envolver os novos alienígenas em sua guerra fria. Quem imaginava que o mundo estava próximo da Terceira Guerra Mundial nem desconfiava que a ameaça era aterradoramente maior. Ficamos próximos do envolvimento na guerra galáctica que se arrasta até hoje e não vai acabar tão cedo. Quando falo em tão cedo, falo em muitos e muitos anos. Bem, não sei ao certo. Apenas presumo.

E é por isso que nossas armas nucleares jamais foram destruídas. Sempre foram a nossa única garantia do não envolvimento na Guerra.

A Terra é a Suiça da Via Láctea. Estamos neutros, pois não temos motivos para ingressar numa guerra que não é da nossa conta.

Porém, Von Grüberar saudaria Heisenberg novamente. Não é só a matéria que é incerta. A vida como um todo é incerta.

Os governantes conseguiriam esconder a Conspiração por quanto tempo?

Um dia um avião cairia na Floresta Amazônica e dentro deste avião haveria um passageiro que ao ver o famoso “túnel de luz” da morte, não teria pudores em revelar seus conhecimentos ao primeiro ouvinte.

E esse primeiro ouvinte seria um oficial do Exército brasileiro, irmão de um agente da Polícia Federal brasileira. Eu.

Quando meu irmão me contou a respeito de uma Conspiração internacional envolvendo extraterrestres e militares, inicialmente não acreditei, como acontece com muitas pessoas.
Alguns acreditam imediatamente em qualquer bobagem. Outros são céticos. E estes são os piores. Pois o cético pode resolver tornar-se obcecado pela verdade e correr desesperadamente atrás dela.

Foi o que aconteceu comigo.

Quando a Interpol instalou um escritório no Brasil, fui um dos primeiros candidatos a me alistar na agência. Através da Interpol eu esperava ter acesso às evidências que eu precisava de que pelo menos o Brasil era parte integrante e importante da Conspiração.

Tornei-me um espião dentro da Interpol, revirando documentos ultra-secretos, aproveitando-me do fato de que a internet, no início, não possuía muitos mecanismos de segurança.
Acessei trocas de e-mails entre militares de várias línguas. Consegui ouvir ligações telefônicas interurbanas e outras comunicações.

Fui rastreado e descoberto e tive que fugir. Não de agentes secretos ou de militares. Mas dos próprios extraterrestres. Pois você pode fugir das autoridades por tempo indeterminado, mas não consegue fugir de quem olha a Terra de cima e pode localizar e abduzir qualquer pessoa ou coisa.

No dia 01 de novembro de 1992, estava andando por uma praia da Bahia, de madrugada, quando desmaiei e fiquei inconsciente por dez anos.

Acordei em algum dia do inverno de 2002, na mesma praia da Bahia e mantive-me em estado de amnésia por longas semanas.

Fui adotado por pescadores, que me alimentaram e abrigaram e colocaram minha foto na televisão local, de onde fui parar em rede nacional, mas jamais familiar algum meu reivindicou minha identidade, embora algumas famílias tivessem pedido testes de DNA para verificar se eu seria alguma das milhares de crianças desaparecidas ao longo das décadas, em todo mundo. Desaparecimentos muitas vezes creditado a extraterrestres, o que é uma bobagem. Os Aliados não precisam abduzir ninguém para fazer testes com humanos. Eles fazem lá de cima, em suas espaçonaves invisíveis, analisando cada uma de nossas células a 50 mil metros de distância.

Mas enfim eu descobri quem era. Foi cerca de três meses depois de ser devolvido à praia baiana.
Eu simplesmente acordei um dia com a memória restabelecida. Ou quase toda minha memória.
Eu acordei sabendo que meu corpo havia sido trocado por outro. Por isso nenhum parente me reconheceu na televisão nem nenhum teste de DNA deu resultado.

Eu sabia que havia sido um dos únicos e raros legítimos abduzidos por seres extraterrestres na Terra. Sabia que, dentro de um laboratório espacial dos Aliados, alguns de meus genes foram trocados minuciosamente, ao longo de uma década, para que eu me tornasse parecido com eles.
Também fiquei decepcionado em saber que nem o Brasil nem o mundo haviam mudado em dez anos. Até o presidente dos EUA era o mesmo.

Inicialmente não entendi o porquê desta experiência. E principalmente, eu me perguntava: de que exatamente eu seria capaz, sendo 15% extraterrestre?

Se eles queriam me retirar de circulação, por que não simplesmente me mataram?

Minha primeira singularidade, que alguém poderia chamar de “poder”, descobri quando os barcos dos meus amigos pescadores foram atacados violentamente por uma tormenta imprevista.

Da praia, pude ver os barcos mergulhados na escuridão tempestuosa, a vinte quilômetros da costa. Com minha mente, consegui erguer os barcos e trazê-los ao cais sãos e salvos. Não permiti que eles me vissem na praia. Por isto, até hoje acreditam em um milagre de Deus.

A partir daquele dia comecei a refletir. Devo me tornar um super-herói? Alguém com meus “poderes”, que continuo chamando “singularidades”, seria considerado uma espécie de messias? Logo alguém tentaria me matar, talvez alguma autoridade eclesiástica interessada em não perder os privilégios das religiões?

Passei a considerar-me um condenado brutal. Por que “eles” simplesmente não me mataram? Por que me transformaram numa aberração que jamais poderia realizar feito algum diante do sofrimento humano?

E se eu resolvesse me casar e ter filhos? Deveria contar a minha família quem sou? Meus filhos também seriam aberrações? Estaria eu dando origem a uma nova espécie híbrida de humano e alienígena?

Minha depressão chegou ao limite e decidi cometer suicídio.

Sem sucesso.

Posso dar um tiro na cabeça e não acontece nada. A bala atravessa minhas células sem tocá-las.

Não adianta me enforcar, me afogar, cortar os pulsos. Sou à prova de morte.

Ao descobrir isto, passei a cogitar a possibilidade de expor as minhas singularidades, pois
ninguém poderia me ferir.

Antes que pudesse me divertir, brincando de super-herói, recebi visitantes. Eu estava andando na minha praia quando vi ao longe umas figuras diminutas, como se fossem crianças. Tentei ampliar minha visão, sem sucesso.

Tive medo. Quem na Terra estaria imune a meus “poderes”? Ninguém.

Mas aqueles pequeninos não eram os Aliados. Seriam quem? Os Inimigos? Queriam o quê comigo?

Quando cheguei bem perto, as tais “crianças” pareciam miniaturas de astronautas. Utilizavam roupas cinzentas e capacetes espelhados. Eu não consegui ver seus rostos. Eram dezoito pequeninos.

Meu medo passou a dissipar-se e aproximei-me mais ainda. Ajoelhei frente a eles. Não tinham mais que 60 cm de altura.

Um deles estendeu a mão, segurando um bastão de cor escura mas brilhante, como se fosse um quartzo ou alguma espécie de cristal.

Estendi minha mão um pouco trêmula e segurei o bastão.

Foi um autêntico download em alta-velocidade em meu cérebro.

A mensagem era um convite.

Comovidos com a punição que seus adversários haviam me infringido, recrutaram-me para fazer parte do Exército deles, onde minhas singularidades poderiam ser utilizadas sem receio algum.
Mas como eu poderia fazer o papel de um Gulliver moderno e solitário? Meu lugar era [aliás é] a Terra, no meio dos humanos. Falei isso em voz alta e em português para os pequeninos.
Aquele que segurava o bastão retraiu-o e o manuseou, como se estivesse digitando outra mensagem. Estendeu o braço novamente. Toquei o bastão. Outro download.

Tudo o que contei até agora me foi transmitido naquele momento. Soube da história de Karl Von Grüberar e outros detalhes.

O pequenino digitou outra mensagem no bastão. Esta me arrepiou todos os pelos do corpo. A mensagem seguinte dizia:

- Seu Planeta Terra será obrigado a entrar na guerra. Acontecerá muito em breve. Aguarde nossas instruções. Enquanto isto, tente localizar os outros Híbridos. Você foi o único que conseguimos encontrar e não sabemos o porquê. Em nossa cultura, quando não sabemos o porquê de algo, significa que este algo é importante.

- Acho que na cultura humana também. – completei.

Eles se viraram e começaram a andar para o lado oposto. Mas eu os interrompi, perguntando:

- Como vou me defender de seus inimigos?

O mesmo pequenino digitou outra coisa no bastão. A cada vez que ele fazia aquilo, eu ficava ainda mais ansioso em saber o que ele escrevia.

A última resposta foi a seguinte:

- Não se preocupe. Já negociávamos com os inimigos antes mesmo que vocês andassem sobre duas pernas. Não vão tocar em você.

Meus novos amigos partiram, dissipando-se no ar quente da praia.

Foi a primeira vez em que me senti bem, desde que retornei do espaço. É bom se sentir alguém, ter um motivo para viver. Fiquei até pensando: será que eles vão me dar uma patente? Tipo General da Legião Humana do Exército Extraterrestre?

Sobre os Híbridos, eu fazia idéia de onde começar a procura: nos jornais. Procuraria por pessoas surgidas de repente em algum lugar e não reconhecidas por ninguém.

Tive que dar adeus a minha nova família baiana. Quando estava na rodoviária, pensei: quando a Terra entrar na Guerra, serei sentimental a ponto de procurar defender primeiro a minha praia na Bahia? Ou então a minha família legítima, em São Paulo? Eu não sabia a resposta. Mas, como meu pequenino extraterrestre disse... quando não sabemos uma resposta, significa que isto é importante.

Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Um Cavalo que me Espia...

Certa noite, dormia tranqüilo em minha cama, quando acordei de súbito. Acordou-me a respiração ofegante de um cavalo me espiando pela porta do quarto. Ainda lembro de seus olhos profundos e esbugalhados, negros, mas de um negro esverdeado que causava anômalos calafrios. Calafrios estes que não me eram desagradáveis, mas apenas estranhos. O cavalo fitava-me intensamente, como se quisesse dizer algo, mas não emitia nem um som além do de sua respiração. Em seguida, abriu-se com uma forte lufada de vento a janela de meu quarto. A fria aragem noturna penetrou em forma de uma névoa esbranquiçada...

Não entendia por que aquele cavalo permanecia ali imóvel, olhando-me de forma tão insistente, apenas movimentando a cauda e as patas, vez que outra. Tinha certeza absoluta que estava acordado, toda hipótese de que tudo fosse um sonho foi totalmente descartada. O que sei é que de maneira canhestra aqueles olhares espectrais em meio à névoa levavam-me a pensar e a sentir coisas completamente absurdas, sem o mínimo sentido.

Pensei, em um momento, em uma música que eu havia composto, música sublime, da mais alta inspiração, que nos transmitia sensações inefáveis... Mas ninguém gostou dela. Aliás, ninguém queria escutá-la, diziam que era perda de tempo, que a música era longa demais, de difícil audição... Ninguém a escutou, ninguém a sentiu. É que a música falava de coisas tristes, falava da morte, e ninguém quer saber da morte. Porém, há um detalhe crucial nesta música que fiz: eu nunca a fiz. O cavalo que me fazia pensar que havia feito. E era como se fosse verdade. Talvez fosse verdade.

Agora o cavalo movimentou seus olhos. São maiores do que pensei. Alguma alma se movimentou por trás daqueles olhares fantasmagóricos. Ele os dirigiu para algum canto de meu quarto. Havia algo ali que eu não podia distinguir. Pela janela escancarada pude contemplar a angústia da lua cheia. Estava maior do que o normal. A névoa pálida permanecia entrando, cada vez mais densa. Foi só nesse instante que pude divisar algo sobre o cavalo, um vulto, um ser movimentava-se em seu dorso. Mas era como se ele não estivesse ali, e creio, todavia, que estava desde o início, muito embora eu houvesse visto vazio o dorso marrom do cavalo.

Mas agora eu ali vislumbro uma mulher vestida de verde, extremamente bela, cabelos longos e verdes, olhos verdes, pele levemente esverdeada, lábios verdes, sustentando em suas mãos uma taça contendo um líquido verde. Ela e o cavalo me olham fixamente. Ela vai dizer algo... Vou fechar a janela...

Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Concurso de Roteiros de Ficção

hei, parceiros escritores, vejam que legal o Rynaldo Papoy divulgou: Concurso de Roteiros do Ministério da Cultura com 10 premiados com 50 mil pilas por cabeça (do pescoço). termina logo, mas vale a pena.
boa sorte a todos!

Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Túnel de luz

A moto ficou destruída com o acidente; o piloto, jogado no asfalto, suspirou profundamente. A dor dos ferimentos desapareceu, uma calma absoluta o possuiu e, docemente, faleceu.
"Eu não queria ter morrido assim", pensou Sergio, enquanto recobrava a consciência. Abriu os olhos mas uma luz branca o cegou. Logo se acostumou com a claridade e percebeu que a luz saia de uma abertura oval ao final de um longo corredor.
Tentou olhar o próprio corpo para avaliar os ferimentos que lhe causaram a morte. Estranhamente não conseguiu. Sentia que levantava a cabeça mas não enxergava o resto de si. Havia, por outro lado, uma força que o energizava. Sentia-se bem. Excelente, na verdade. A despeito de onde estivesse e como viera parar ali, Sergio aproveitava a sensação inigualável de potência que aumentava com o tempo. Sabia que em breve algo explodiria!
Subitamente ouviu seu nome. Cerrou os olhos, bloqueando a luz, e só então notou que não estava sozinho. Dezenas, ou talvez centenas, de pessoas o cercavam. Ele sabia que eram pessoas, embora visse apenas a aura que as cobria. Reconheceu algumas, eram parentes e amigos que já haviam morrido. Não teve medo, pelo contrário, ficou muito feliz em vê-las.
"Sérgio, vamos para a luz."
A voz feminina era suave. Notou que não o chamava mas o impelia. Viu que todos ao redor buscavam alcançar a luz. Ele próprio esforçou-se, sem saber bem o porquê. Percorreu o longo corredor como se voasse numa densa neblina. Junto com outras pessoas, Sergio atravessou o portal de onde surgia a luz brilhante. Estavam estasiados, um calor confortável percorreu o ambiente.
Inesperadamente, Sergio abriu os olhos. Nem se lembrara de tê-los fechado. As auras de seus companheiros pareciam bailar num caos controlado por pulsos regulares. Continuavam em transe. Sergio, então, resolveu olhar para trás, queria conhecer o portal de onde vieram.
Um vórtice de cores o atingiu como um turbilhão de sentimentos confusos. Demorou muito até perceber que estava consciente novamente.
- O túnel?...
- Calma! - Um bombeiro-militar o segurou na maca. - Você está indo para o hospital. Sofreu um acidente de moto.
- Eu estou bem? Eu vi o túnel de luz...
O bombeiro olhou para o paramédico, que guardava o equipamento de desfibrilação, e sorriu.
- Sim, está bem. Por um segundo o perdemos, mas agora está bem. - Mudou o tom de voz. - Você disse que viu o túnel de luz?
- O túnel. Eu o vi! - Um flash de imagens passou em frente aos olhos de Sergio, que relembrou da tudo desde o acidente . - Eu estava no túnel. Fui para a luz, atravessei o portal. Mas... fiquei curioso e olhei para trás. Eu vi. - Arregalou os olhos. - Eu vi o túnel.
O bombeiro e o paramédico se entreolharam.
- O túnel era um pênis. - Gritou. - Um pau! - Balançou a cabeça piscando. - E éramos os espermatozóides nadando no sêmem. Um grande mar de porra.
O paramédico assentiu com a informação.
- Oras, então quando morremos nos transformamos em espermatozóides na luta pela fecundação? Uma chance de uma nova vida? Interessante.
- Não. - Gritou Sergio. - É uma vida diferente! - Trinitrou entredentes. - O pênis era de um orangotango.

Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Uma canção de natal

Eu passeava pelo shopping caçando promoções para presentes. Ouvi uma voz infantil entoando uma canção em ritmo natalino.
- é natal, é natal, pega no meu pau...
- ô moleque, que música é essa?
Ele me olhou e completou.
- tudo bem, tudo bem, pega no teu também...
Tive que rir. E ele continuou.
- hoje a noite é fera, vou com a galera, feliz me masturbar...
Vi que o jovem pentelho queria apenas provocar. Forcei as engrenagens cerebrais e cantei:
- Ao pegar no pinto, pinto pequenino, vem ao dedo mínimo se comparar...
Foi a vez dele rir.
- Você é poeta? - Perguntou.
- Não. - Suspirei. - Sou punheteiro mesmo...

Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

O ABISMO - Um Conto de Tom e Macelo Marat




Um Conto de Tom e Marcelo Marat

“Não combata os monstros temendo tornar-se um deles, se você olhar para o abismo, o abismo olhará para você.”
Nietzsche

Sentia um sono invencível cair sobre ele. Tentava manter os olhos abertos sem sucesso. Largou o livro ao perceber que não lembrava o que havia entre o início e o fim do parágrafo, entre uma piscada e outra. Experimentou andar de um lado para outro do quarto. Voltou a sentar-se e começou a escrever. Normalmente, uma atividade física espantava o sono. Não funcionou. Parecia psicografar o texto, sem ter a menor idéia do que estava escrevendo. Foi ao banheiro e lavou o rosto com água fria. Os olhos pesavam. Voltou ao quarto e olhou pela janela. Caía uma chuva fina, após chover durante todo o dia, às vezes forte. Ninguém passava na escuridão da rua, embora não fosse tão tarde. As casas adquiriram um estranho aspecto, como se fizessem parte de um velho filme expressionista alemão em preto e branco. Seria efeito do sono? Precisava dormir, mas não podia. Se dormisse agora, despertaria lá pelas onze e ficaria a noite toda acordado, sem conseguir fazer nada. Suas noites de insônia nunca eram produtivas. Além disso, havia um motivo muito importante para não dormir: esperava uma visita. Não seria educado recebê-la de olhos injetados, cara amassada de quem acabou de acordar.
Sem perceber, voltara a sentar à mesa. Não conseguia pegar a caneta para escrever. Apenas olhou a desordem de papéis rabiscados. Em algum lugar distante, ouviu-se o lamento de um cão. Uma névoa começou a tomar conta do quarto. As pálpebras pesadas venceram, afinal.
Despertou assustado. O visitante chegara. Estava sentado numa poltrona, no fundo do quarto e observava com certa ironia.
_ Boa noite, Frainer!
_ Você veio mesmo...
_ Eu sempre cumpro minha palavra.
Gabriel Frainer se moveu, dissimulando um espreguiçar manhoso. Falava com voz engraçada:
_ Não é o que dizem...
_ Minha má fama me precede.
...
_ Quando começamos?, perguntou Gabriel. Meu Deus, você é mesmo muito bonito... Posso toca-lo?
_ Pode fazer o que quiser, Frainer, desde que não termine a madrugada. À propósito, estive observando alguns de seus escritos. Retire a bobagem dos espelhos... é pura lenda.






Mas extasiado que desapontado, Gabriel puxou do bolso sua lâmina preferida e começou a escorrer com ela algo de dentro do papel. Em seguida, pousou o rosto rente o visitante que sem cerimônia lambeu seu queixo e pescoço.
_ Eis o sabor da juventude. Em algum tempo tivemos a pele fresca e quente como a tua.
_ Por que você me escolheu?
_ Por dois motivos, Frainer: porque me chamou e por ter nome de anjo. Eu nunca venho sem ser chamado, acredite. Não foi por minha vontade que fui parar naquele deserto, na quadragésima noite.
_ Do que está falando?, Gabriel ofegava.
_ Nada de importante. Deixe-me provar de você um pouco mais.
A língua deslizou pelo corte, quente e áspera. Gabriel fechou os olhos, sentiu o toque. O homem – tão mais velho e, no entanto, tão belo – segurou-o pelos ombros. Havia um cheiro estranho no ar. Cheiro de floresta úmida, calma, relaxante. Uma vertigem confusa. Como ele chegara até ali? Onde foram parar suas roupas?
_ Agora você é meu espelho – disse o homem.
Gabriel sentia prazer no som da voz dele. Nunca se sentira tão bem em toda a sua vida. Como ele, estava protegido. Nele, podia confiar. Confiar a ponto de lhe entregar sua lâmina preferida.
_ Qual o seu nome?, murmurou Gabriel.
_ Para você, eu sou Milton.
_ Milton... tive um grande amigo com esse nome... há muito tempo...
_ Você é jovem demais para ter vivido qualquer coisa há muito tempo...
Cuidadosamente o corpo nu de Frainer foi deitado no chão da madeira do quarto. Sua pele alva contrastava com o tom de bronze do outro. Era como estar à mercê de uma estátua muito antiga, os músculos rijos, tão diferentes do rapaz magro ali deitado. Milton beijou-lhe docemente a boca, virou-o de costas e, num gesto preciso abriu um corte profundo com a lâmina na base da coluna até o alto da nuca. Deslizou a lâmina para os lados sob as orelhas e o queixo. Depois, com os dedos, abriu a pele das costas retirando-a cuidadosamente. Não havia dor, apenas um sono profundo. Milton cortou atrás das coxas até os tornozelos separando toda a pele do corpo deixando apenas a parte das mãos, dos pés e da cabeça. Com cuidado, escalpelou o crânio. Seu corpo nu brilhava, tingido de vermelho. Com uma grande serra, cortou os membros tendo o cuidado de separar os ligamentos dos ossos nas juntas e não simplesmente serra-los. Deixou a cabeça por último. Colocou a língua e sexo de Frainer em um recipiente de cristal. Fez o mesmo com todos os órgãos, com cuidado de um sacerdote egípcio durante a mumificação. Ergueu a máscara de couro que fora o rosto de Gabriel Frainer, segurando-a entre os dedos à altura do próprio rosto e observando-a longamente. Guardou cada peça em seu lugar, enquanto lambia o sangue dos dedos.
Gabriel Frainer agora jazia em pedaços.
Quando tudo terminou o dia estava amanhecendo. Milton tomou um banho, vestiu um roupão de seda escuro e sentou numa poltrona, exausto. Estava ficando velho demais para aquele tipo de coisa.
A primeira parte do ritual estava completa. O sangue espalhado pelo quarto formava uma obra de arte visceral. Milton sorriu da própria ironia. Lembrou do velho deus egípcio, retalhado, remendado, revivido havia muito tempo atrás. Se tudo desse certo, Gabriel estaria pronto para seguir o mesmo caminho.
...
Só depôs de abrir os olhos e colocar os pés no chão foi que Gabriel Frainer se deu conta de que tudo não passara de um sonho. Ou pesadelo?
Em seguida, foi tomado por uma dor lancinante que o fez correr até o banheiro. Molhando o rosto acabou descobrindo já não ser mais o mesmo. Sua face se tornara uma máscara distorcida semelhante o rascunho inacabado de um desenho.
O pior viria depois: despindo-se, detectou no corpo, nós e nódulos arrematando os músculos como o resultado de uma cirurgia tosca. Era todo ele um feixe costurado à revelia; além disso, a pele (ou o que poderia ser aquilo) adquirira coloração bem próxima ao que acontece com os cadáveres.
Gabriel soltou um grito de horror correndo até a porta sem conseguir abri-la. Logo se voltou para a janela e seus urros eram gemidos dissonantes entremeio os prédios da cidade.
Frainer perdeu os sentidos. Quando despertou já era tarde da noite. O odor de podridão e morte rondava o apartamento.






_ Como vai, Frainer?, murmurou alguém dentro do silêncio.
_ O que você fez comigo, Milton?
_ Eu te mostrei o abismo. Não era o que queria? Agora é um dos nossos.
_ Então porque não consigo sair deste quarto?
_ Porque agora este é o seu mundo. Não existe nada lá fora. Em contrapartida, oferecemos compensações...
_ Do que está falando?
_ De um espaço sem lembranças e remorsos. Por isso procuramos a companhia uns dos outros já que somos vetados aos humanos. Por isso o desespero Daquele a que todos chamam de Deus.
_ O que está tentando me dizer?
_ Ora Frainer, de que vale a imensidão se não temos alguém para importunar e colocar defeitos!
_ Para onde você está indo?,principiou a gritar Gabriel ao pressentir que Milton começava a desaparecer._Me leve contigo, não me deixe aqui sozinho!
_ Ainda não está pronto, Frainer. Mas prometo que virei visitá-los todos os dias. Eu ou alguns de meus amigos...
Logo se repetiu o silêncio. Gabriel começou a chorar, mas não saía lágrimas de seus olhos, assim como não sentia o coração ou os sons dos intestinos. Então pegou a lâmina e começou a se cortar tirando nacos do corpo. Em pouco era novamente um monte de pedaços espalhados pelo quarto e então, logo pela manhã estava novamente recomposto e cada vez mais distorcido e monstruoso. “O abismo...”, murmurava ele, “O abismo!”.

Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

E Ela Falou o Seu Nome...

Alguns dirão que foi um sonho anormal. Outros, que é apenas uma ficção absurda de um escritor delirante. Eu não digo nada, eu limito-me a contar o que vivi. Limito-me a dizer que perambulava doentio e inflamado pela noite. Algo de terrível, de onírico, de lancinante, de fatal pairava sobre minha alma. Minha alma já não se suportava em meu ser insatisfeito e irremediável à eternidade. Vagavam alucinados os meus pensamentos inconformados pela escuridão noturna, iluminada por luares e sonhos medievais em doces pesadelos.

E ainda mais longínquo voava tudo o que eu sentia, todas as tempestades apocalípticas que em mim se debatiam em sua invisível violência. Meu universo sentimental fitava olhos e asas de anjos sobre nuvens avermelhadas, febrentas e férvidas nos céus repletos de ultra-romantismos, nuvens carregadas de emoções que me trovejavam sobre o espírito inconsolável. Foi então que a encontrei.

Ela abriu a imensa porta de um casarão antigo de mistérios e convidou-me sedutoramente a entrar. Se exteriormente aquele casarão sombrio de inquietante imagem ancestral assomava de forma majestosa e aterrorizante, em seu interior havia alguma espécie indefinível de magia sublime que me envolveu perigosamente...

Um denso aroma de incensos impregnados de delírios invadiu-me além das narinas, hipnotizando-me como um alucinógeno sobrenatural. Ao inalar aquela atmosfera carregada de auras e sonhos e febres e vidas e mortes, uma luz astral queimou meus pulmões apaixonados. No ambiente febricitante, em penumbra celestial e estranhamente luminosa, meus olhos ardentes, lacrimejando, somente distinguiam coisas que não sei nomear. Tudo, tudo o que eu via não possuía nome em nosso mundo, em nossas existências normais, nós não conhecemos aquelas coisas indizíveis. É-me impossível, arranco-me os cabelos intentando escrever as coisas tão absurdas que ali viviam... Porém, afirmo que vi infinitas existências inefáveis que atordoavam meu coração em vertigens. Perturbavam como uma devastação minha mente desvairada, entorpeciam-me como venenos ofídicos e mágicos. Arrebatavam-me a céus e a infernos cada vez que eu a elas dirigia meus olhos que se desvaneciam em vapores. Eu chorava...

E num instante de suprema insanidade espiritual, refulgiu pelo mistério um tempestuoso clarão iriado de luz solar. E pude contemplar o que até então me fora impossível: a face e os olhos da mulher sobre-humana que me havia feito o insalubre convite a entrar. E foi então que a amei. Daquela face onde conviviam anjos e demônios, e daqueles olhos fundos como o Desconhecido, que, sem cessar, mudavam de cor, raios nucleares em forma de flechas dardejavam enfebrecidos a essência de minha mônada.

E cantos e gritos alucinados, canhestramente dementes, porém belos, belos demais para se suportar, que me comoviam, esgotavam minhas lágrimas enlouquecidas, cantos e gritos partiram daqueles seres nunca-vistos, pela tensa escuridão iluminada. Uma sinfonia vulcânica, ciclônica, em forma de relâmpago. E enquanto meu peito explodia ao som dos estranhos seres e aos olhares em fogo da bela celeste-infernal, compreendi. Compreendi que estaria ligado maldita e abençoadamente àquela mulher para toda a eternidade finita ou infinita de minha existência insensata.

Desejava saber quem era aquele ser feminino que me arrastou à loucura com seus filtros e feitiços mágicos, que tinha a cura para aumentar minha doença. Arrastando meu manto de roxas saudades e torturas, mergulhei minha alma nos enigmas arcânicos de tudo o que se oculta no cosmos... Abalos sísmicos anímicos faziam tremer meu ser, e aos vapores sangüíneos de rosas e sangues, pesadelos e sonhos desabavam pesarosos sobre minha fronte ensandecida.

Com meus braços inflamados de esquisitas e angustiadas energias não-corpóreas, abracei em êxtase divino o coração daquela mulher e beijei, na marcha fúnebre da morte e do fim, seus lábios em lava. Pelas janelas de meu sublime transtorno, da furiosa paixão sem limites, eu via a celestial tempestade eterna se aproximando em relâmpagos apocalípticos. Ao nosso redor, erguiam-se, em deliciosa loucura ameaçadora, fantasmas e magas em fulgurantes espectros de astros vermelhos. E num murmúrio, na plenitude fantástica da demência, perguntei aos ouvidos da mulher que me arrebatou e devastou-me como um furacão aos extremos universais... Eu perguntei o seu nome. E ela falou-me. Senti-me salvo. E o seu nome era Arte.

Conto dedicado à Ópera Tristan und Isolde, de Richard Wagner

Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Filme de zumbi português classe AAA

Parte 1:



Parte 2:

Domingo, 5 de Agosto de 2007

ebook Estrada para o Infinito e ezine BDE

Lancei, em 03/08/2007, o pulp Estrada para o Infinito, em homenagem ao BDE.
é uma história louca, dum sujeito de moto que acaba numa vila de Amazonas. o problema é que houve o apocalipse e o mundo está infestado de mortos-vivos.
com prefácio de Me Morte
Baixe o ebook aqui.







O Bar do Escritor completou dois anos de discussões, brigas, confusões e xingamentos por conta da bebida literária que é servida em nossas mesas virtuais. Tanto debate criou fortes laços de amizade entre os membos desta comunidade do Orkut. No E-ZINE especial estão publicadas as Histórias do Bar, os textos em homenagem (?) ao BDE. São poemas, contos e crônicas contando um pouco como é ser um dos nossos bebuns de letras. Uma experiência única, alguns nunca se recuperaram.
Conheça tb o BLOG do BAR.

Quinta-feira, 19 de Julho de 2007

Conto Vertiginoso

Desvairado e pálido, eu segurava com desesperada firmeza a mão daquele Ser que me acompanhava em pânico, daquele Ser que eu deveria carregar comigo por entre as sendas que de forma insana cortavam a catástrofe. Éramos o derradeiro apoio um do outro, mas eu era o guia afrontador do cataclisma, por isso eu levava o Ser, sempre à beira da loucura. Eu vivia sempre em crise à beira-da-loucura, e jamais caminhava, sempre corria desabalado. Porque era absolutamente necessário, de uma grave e terrível imprescindibilidade.

Tudo, por todos os lados, por onde quer que eu voltasse meus olhos alucinados, absolutamente tudo desmoronava cosmicamente em crepúsculos e ocasos iminentes, inevitáveis, inexoráveis. Não sei dizer se era noite ou dia, mas posso afirmar que a treva e a escuridão maciças pesavam brutalmente sobre tudo aquilo que se convencionou chamar de mundo, agora se consumindo nas correntezas arrasadoras de rios de lágrimas.

Eu e o Ser de enormes olhos brilhantes corríamos desbragados em vertigens borbulhantes e faiscantes por entre os escombros titânicos da monstruosa e avassaladora destruição que surgia e invadia e aniquilava impiedosa e implacável de todos os pontos de todas as formas que parecia verter dos poros sombrios do Desconhecido. Enquanto lutávamos afoitamente para nos desviar com frenética rapidez das gigantescas partículas que ruíam indômitas em meio à devastação sem freios, subitamente assomou do éter toda uma orquestra sinfônica que não sei dizer nada sobre ela, mas digo que executava uma sinfonia de absurda velocidade, de acordes e notas tão acelerados e intensos que transmitiam a violenta impressão de vendavais lancinantes, de tornados infrenes, de ciclones dantescos, de furacões massacrantes. Armagedônico avalanche sonoro!

Tremendo e chutando explosões tremendas, percebi que meus batimentos cardíacos deviam estar seguramente a mais de 100 por minuto. A muito mais! Febrentas sensações de pulsos e impulsos grotescamente céleres e incontroláveis impeliam toda minha alma para uma alucinada corrida contra o tempo e sempre sem descanso. Infinidades de batidas de relógios assolavam meu coração e mente em compassos hipnóticos e holocáusticos, aquelas badaladas infernais.

E majestaticamente aquela sinfonia dramática e trágica e elétrica chegava ao fim, e crescia abruptamente em bombásticos chamados de trompas que soavam de chofre por todo o ambiente fúnebre e catártico, salpicado por tímpanos pagãos. Corríamos de báratros do inferno até espaços vastos e galácticos que não sei descrever. A morte bradava invicta e colérica, e eu nunca larguei a vívida mão do Ser, enquanto o trovão sinfônico fulgurava em relâmpagos rápidos por entre tempestuosas tempestades férvidas e gélidas. Eram turbilhões avassaladores que corriam e se contorciam, enquanto a música se findava na demência definitiva da fúria e da glória através das lâmpadas que nervosa e inquietantemente se apagavam para todo o sempre.

Ascendíamos lôbregos entre ciclônicas perturbações transtornantes. A água avançava incólume, o fogo queimava em vertigens e delírios, de um pesadelo assombroso, pesadelo que caía como bombas atômicas, e esquadrões de seres que não digo, verdadeiramente indizíveis, dardejavam espantosamente velozes por todos os âmbitos.

Indiferente, indignado e impávido, preparava-se o maestro para o Grand Finale invencível e tonitruante, turbilhonando furiosos por exércitos varridos pelos ventos sem fim, por povos despencando nas rachaduras vulcânicas de lava incendiada, por mortos e vivos sangrando incontidos ao bater opressivo e implacável dos bilhões de relógios agressivos e torturantes, causadores de estúpidos terremotos. Tudo caía e se desmanchava, e a sinfonia se ia, e eu desesperado, alucinado, louco e vertiginoso, trazendo comigo o Ser dos imensos olhos, tentei alcançar em extrema velocidade aquela apocalíptica mão!

Sábado, 7 de Julho de 2007

A arca de Manoel

Não era religioso, desprezava essas tolices, mas aconteceu de ver um anjo num sonho: loira, peituda, pernão. Falou numa língua estranha dentro de sua cabeça:

- Manoel, você deve fazer uma arca para sair deste lugar.

“Então deus é mulher!”, pensou.

- Não sou deus, Manoel, apenas uma amiga das estrelas.

“Como se pode ser amigo de uma estrela?”, imaginou.

- Sou sua amiga que veio das estrelas.

“Mas não conheço ninguém de lá.”, lembrou.

- Pare de besteira, Manoel, e meu ouça. – O semblante da mulher ainda impassível brilhava um pouco mais intensamente. – Você deve juntar os seus para construir uma arca e sair deste lugar.

O olhar abobado do homem revelou sua estupefação. Tantas eram as perguntas que a aparição nem as esperou.

- Reúna sua família e os alerte que o fim se aproxima. – A iluminada fez uma pausa, parecia esperar o efeito de suas palavras. – Você fará uma arca para salvar a vida no planeta.

- O que é uma arca? – Conseguiu perguntar.

- Uma nave, Manoel, faça uma nave espacial.

- Mas sou um simples mecânico, não sei fazer uma nave!

A mulher abriu os braços num suave circulo. Uma luz ondulante pairou sobre Manoel.

- Eu precisaria de plasma ionizado, plutônio enriquecido, cristais dodecaedros. – Coçou a orelha.- Nem sei como sei essas coisas! – Parecia aturdido com a própria inteligência. – Mas posso dar um jeito...

Convocou a família logo que acordou e informou que iria construir um grande motor-home com tecnologia de ponta. Não era trouxa, se revelasse a verdade seria impedido juridicamente, era rico, dono de três oficinas, tomariam-no por pródigo. Com o engodo, teve o apoio da trupe. Achavam que ele faria algo divertido para todos.

- Preciso de algumas coisas esdrúxulas. – Manoel ficou surpreso com as novas palavras que conhecia. – Óleo de avião, circuitos eletrônicos, baterias recarregáveis, tanques de ar temperado, lâmpadas de cristal puro, sementes de mudas de plantas...

- Perai. – O cunhado interviu. – O motor-home será auto-suficiente? Iremos cultivar plantas?

- Não só cultivar, mas retirar energia da captação solar das células foto-sensitivas das plantas. – Explicou calmamente, torcendo para não ser questionado sobre tal conhecimento.

- Ah...

- Usaremos a energia absorvida pelas plantas para a sustentação de vida, como calor, filtragem do ar, alimentação e medicina. A energia nuclear da fusão iônica usaremos para propulsão e revigoração da estrutura metálica.

Os outros até indagaram-se onde ele aprendera tantas coisas, mas depois que ficara viciado na rede mundial de computadores falava cada coisa que ninguém entendia. Admitiram que ele sabia o que estava fazendo e aplicaram-se no projeto.

Onze meses depois estava pronto. Possuía acomodações para doze pessoas, banheiro, cozinha, oficina e cabine de controle. Uma usina de fusão nuclear a frio, uma estufa com iluminação solar hidro-alimentada, dois tanques de plasma iônico para os propulsores espaciais e um motor turbo-diesel 12 litros com 470 cv.

No dia da partida, a patota perguntou sobre os as maletas com lâminas de sangue.

- Amostras de DNA. – Limitou-se a dizer Manoel.

- Para quê? – Perguntou a esposa.

- São os animais do planeta. Tô colecionando... – Foi o que conseguiu inventar.

Ele acelerou e o caminhão deslizou suavemente. A tripulação, seus filhos e esposas, cantavam alegremente uma canção. Manoel pediu a atenção de todos.

- Quero mostrar uma coisa. – Ele apertou um botão no painel. A energia das usinas preencheu os tanques iônicos e superaqueceu o plasma. Puxou levemente o manche, adaptado de um jogo de software, levitando o veículo. Apontou para o céu. – É para lá que vamos. – Digitou uns números no teclado da tela e saíram em disparada para o alto. A velocidade estonteante logo os fez alcançar a estratosfera. Em segundos passavam pelo satélite natural do planeta.

Extasiados demais para ficarem confusos, esperaram a explicação do patriarca da família.

- Iremos em busca de um novo mundo.

Infelizmente Manoel não pensou em construir uma sonda para análise de curso de navegação ou um tricorder para prospecção de condições de sobrevivência. Era apenas um mecânico, não um aventureiro. Ficaram perdidos no espaço, nem sabiam mais voltar ao lugar de origem. Quando encontravam um planeta, tinham que entrar na atmosfera para ver se seria habitável. Anos se passaram.

- Vamos tentar aquele? – Apontou o neto de Manoel para um planetinha azul. Ele não sabia que era muito parecido com aquele do qual saíram, havia nascido no espaço.

- O sol é amarelo! – Notou Adão, o filho primogênito, pois haviam perdidos anos procurando em planetas de sistemas com sóis vermelhos.

- Sim, vamos tentar. – Concordou Manoel.

Assim que se aproximaram puderam ver os oceanos azulados e os grandes continentes verdes. Era branco nas extremidades. Um planeta bonito, pensou a netinha mais nova ao desenhá-lo com giz de cera. Fez os contornos das cadeias montanhosas, coloriu de laranja os desertos, demarcou os grandes rios e mares. Fez o primeiro mapa mundial.

Um solavanco.

- Problemas? – Quis saber Adão. Mesmo há tanto tempo ajudando o pai a conduzir o motor-home, ainda não compreendia os princípios que faziam a coisa toda funcionar. Até era capaz de consertar um nano-fusível, mas nunca entendeu como as plantas cresciam tanto e ainda captavam energia para a nave.

- Não sei ... – Foi o que pôde dizer. A alta concentração de oxigênio incandesceu o exterior coberto de poeira do vácuo. As labaredas apenas assustaram sem provocar danos, porém Manoel desconcentrou-se e perdeu a direção. A nave atingiu uma montanha e desabou arrancando coqueiros perto da praia. O acidente danificou apenas alguns circuitos elétricos.

Manoel, contudo, apertou o peito com a mão e balbuciou algumas palavras. Estava tendo um ataque cardíaco. Levaram-no para fora, para sentir o ar fresco depois de tanto tempo.

- Ao menos consegui chegar na nossa terra... – A mão tombou sobre o chão. Estava morto.

- Nossa terra... – Repetiu a esposa, chorosa, a cabeça no peito do falecido.

- Terra! – Falou Adão. – Este será o nome do planeta.

Em poucos anos já tinham uma vila bem organizada, com dezenas de crianças correndo por todos os lados. Viviam simploriamente, não sabiam nem fundir ferro, toda a tecnologia morreu com Manoel. O filho até consertou os circuitos danificados mas não soube reorganizá-los. Sempre repetia que tudo dependia do pai.

Os filhos dos filhos pareciam um tanto bobos aos olhos de Adão. Ele se perguntava se aquela sensação de embriaguês causada pelo excesso de oxigênio poderia ser responsável. Ou talvez a procriação entre irmãos e primos. Não sabia, era apenas um filho do mecânico. Desconhecia muitas coisas, entre elas o que motivara o pai a levá-los até aquele lugar. Ele dissera que seu planeta original iria acabar. Se aconteceu, nem isso sabia.

Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

James West



Encomendei e assisti a um episódio de "James West" ["Wild Wild West"], série que teve 104 episódios, entre 1965 e 1969.
O louco dessa série é que tinha ficção científica no meio.
O episódio que assisti foi o "A Vingança de Miguelito".
É trash, bem trash, só para colecionadores. Mas quando criança eu adorava.
O criador da série, Michael Garrisom, morreu num acidente dentro de casa, em 1966, aos 44 anos.
O ator Robert Conrad, que interpretava o Fox Mulder do Velho Oeste, está com 72 anos e faz um filminhos de vez em quando. Detalhe: foi convidado para fazer uma participação especial no filme com Will Smith, mas recusou após ler o roteiro.

Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

"Zona Morta", Stephen King

Enfim, depois de dois milhões de anos, terminei de ler "Zona Morta". É bem chato, cansativo. Só li para saber o que aconteceria no fim.
Bem que King poderia ter escrito um livro com mais suspense e menos páginas.

Harry Potter e o Cálice de Fogo

É o melhor filme da série, com relação aos efeitos especiais. Surpresa em se tratando de Mike Newell, que costuma fazer uns filmes meio de arte, mas populares, como "Quatro Casamentos e um Funeral".

Agora ele finalizou "O Amor nos Tempos do Cólera", baseado em Gabriel Garcia Marquez [com participação de Fernanda Montenegro].

O novo Harry Potter já está em lançamento. Ontem dei um álbum de figurinhas para meu irmão e minha sobrinha: "Harry Potter e a Ordem de Fênix". Mas cuidado com o álbum: tem spoiler de ponta a ponta. Caso já não tenha lido o livro, lógico... O diretor é o desconhecido David Yates, também escalado para o próximo filme "Harry Potter e o Segredo do Príncipe" [tentei ler o livro que minha sobrinha tem, mas achei muito chato].

Vai aí o trailer de Harry Potter e a Ordem de Fênix:

Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

D'espairsRay - Gothic

O som desta banda cabe muito bem neste blog. A banda mais louca da história do Japão:

Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

"O Fantasma do Apito", Miguel Carqueija

Resolvi comprar o novo livro de Miguel Carqueija, "O Fantasma do Apito", simplesmente para incluir em minha coleção de ficção científica brazuca.
Eu conhecia o Carqueija dos textos publicados no "Juvenatrix" e confesso que assim que comecei a ler sua novela, fiquei surpreso com a evolução do autor carioca.
Mais surpreso ainda ao constatar que não é nenhum moleque, mas um homem experiente, já na casa dos 59 anos.
Carqueija tem um texto, um enredo e um estilo joviais, de alguém que escreve por puro prazer e não tem nem um pingo da arrogância tão comum em alguns autores de sua geração e faixa etária.
A não ser que ele também se ache um gênio da ficção científica brasileira, o que duvido muito...
Dele falou Jorge Luiz Calife: “Foi nesse período [anos 80] que conheci o Miguel, nas reuniões do CLFC do Rio de Janeiro e comecei a apreciar suas histórias, cheias de uma temática e um estilo bem pessoais, e cuja leitura tornava ainda mais agradável a chegada de um novo fanzine. Com nosso entusiasmo pelo papel das mulheres no futuro da humanidade várias vezes trocamos idéias e opiniões sobre novas histórias envolvendo fascinantes heroínas.”
Pessoalmente desconheço Miguel Carqueija. Nunca troquei e-mails com ele e só o que sei do escritor é o que leio nas colunas do Roberto Causo ou no blog Infernotícias. Não consta que participe do Orkut, o que faz muito bem, pois o site da Google só serve para se passar raiva.
Como disse, a primeira coisa que reparei no livro do carioca foi seu caráter infanto-juvenil, que me fez lembrar os livros da série Vaga-Lume.
Toda a história é contata através de diálogos. Praticamente não há narrativa nem dissertações, nem as lamentáveis filosofias existencialistas tão comuns em livros de ficção científica.
“O Fantasma do Apito” dá para ler de uma tomada só e fazer o leitor se divertir. Ah, se todo mundo fosse como Miguel Carqueija...

Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

"O Farol no Fim do Mundo", Júlio Verne

Enfim terminei de ler o livro de Júlio Verne, após um milhão de anos. Nem me lembrava quando comprei este livro.
É a história mais desencanada e aventuresca que li do autor francês, inventor da ficção científica. Talvez porque tenha sido um de seus últimos livros. Foi publicado em 1905, ano de sua morte.
Continuarei lendo Verne. O próximo livro será seu primeiro, "Cinco Semanas em Balão".

Sábado, 16 de Junho de 2007

Roald Dahl



Uma achado: estou lendo "Charlie e o Grande Elevador de Vidro", continuação de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", de Roald Dahl, autor galês descendente de noruegueses.
Uma curiosidade: o filme "Gremlins" também é baseado em obra sua.
Este "Charlie e o Grande Elevador de Vidro" é um livro engraçadíssimo, recomendável para todas as idades. Quero ler todos os Dahl agora.

Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

As 10 mais de Rafael "Lupo" Monteiro

1) 2001
2) Matrix 1
3) Senhor dos Anéis (os 3)
4) Iluminado
5) 12 macacos
6) Naked Lunch (Cronemberg)
7) Extermínio
8) Laranja Mecânica (depois que descobri que o final do livro é diferente passei a gostar um pouco menos)
9) Blade Runner (preciso rever esse)
10) Dracula (o da década de 30 e o do Francis Ford Copolla)


Menções Honrosas (eu acho que são FC, mas pode ser discutível):

Show de Truman
Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças

Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

Meu blog de contos mudou de nome

http://contospapoy.blogspot.com

"O Fantasma do Apito", Miguel Carqueija

Muito interessante o novo livro de Miguel Carqueija. Pode ser adquirido na loja do http://www.scarium.com.br/ .

Terça-feira, 12 de Junho de 2007

FILMES INESQUECÍVEIS - BLADE RUNNER

FILMES INESQUECÍVES – BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDRÓIDES

Após este filme de Ridley Scott a palavra “andróide” começou a adquirir uma conotação mais universal; ela que antes se limitava a uma melancólica definição de seres comportando características masculinas e femininas.

Os andróides do livro de Philip H.Dick (Do Androids Drem of Eletric Sheep?) do qual Ridley tirou aquele que é considerado o grande cult movie dos anos 80 , são também chamados de replicantes: protótipos humanos idealizados pela engenharia genética “expert” também em produzir animais artificiais (corujas,cobras).

Num século de vida insuportável (2019) embalada pela trilha sonora do genial Vangelis, o ponto alto deste filme não poderia deixar ser os replicantes, seres de vida limitada (cada protótipo tem um prazo definido de vida). O que procuram é tão-somente respostas paras as mesmas perguntas de todos nós: o que somos, quando tempo duraremos, como fazer para aumentar o tempo de vida?

Para o homem, eterno descontente e curioso a respeito de sua longevidade (desde a Idade Média procuram-se fórmulas e ungüentos para a fonte da juventude) o assunto é sempre atual e perene.

Se Deus criou-o à sua imagem e semelhança não foi o bastante já que deixou-o conviver com a eterna dúvida e precariedade da existência.

Em “Blade Runner” (um misto de filme “noir” com ficção científica) o homem cria o homem numa espécie de vingança contra Deus e contra ele mesmo (já que a criação volta-se contra o criador).

Resta dizer que não existe no cinema nada mais tocante que a sequência do replicante Roy Batty (interpretado pelo excelente Rutger Hauer). Roy pressente que vai morrer e num ato de grandeza e misericórdia salva Rick Deckard (Harrison Ford).

Observações e curiosidades:

· A tradução aproximada para “Do Androids Dream of Eletric éSheep ?” é : Sonham os Andróides com Ovelhas Elétricas?”
· A cena final: Deckard sobrevoando a paisagem com Rachael (Sean Young) são “sobras” de filmagens de “O Iluminado” de Stanley Kubrick
· “Blade Runner” foi relançado com uma nova cópia, nova trilha sonora e com as cenas cortadas do original.
· Foram filmados cinco finais porque os produtores consideravam o filme muito sombrio: A fuga de Rachael e Deckard, uma outra fuga com Gaff no encalço de Rachael e Deckard, Deckard matando Rachael, Rachael se suicidando saltando de um prédio, a porta do elevador que leva Deckard e Rachael se fechando.
· Na versão original deixam-se suspeitas de que Deckard seja também um andróide, mas a certeza aparece tarde demais.
· Outro ator cogitado para o papel de Harrison Ford fora Dustin Hoffman.
· O estilo visual do filme foi inspirado na revista em quadrinhos “Moebius”, nos filmes “Metrópolis”, “Cidadão Kane” e “Os Irmãos Cara-de-pau “(as chamas das fábricas na abertura).
· Comemorou-se em março o aniversário da morte de Philip K. Dick (ele morreu em 2 de março de 1982) e em junho comemora-se o aniversário de lançamento de Blade Runner (25 de junho).

TOM ZINE

Sábado, 9 de Junho de 2007

Rynaldo Papoy: Contos

Dando prosseguimento a minha iniciativa de separar meus blogs por assunto, criei um agora para abrigar meus contos. Não apenas os de ficção científica, que são minoria.

http://contospapoy.blogspot.com

A lista da Raquel [amiga]

Veludo Azul
Laranja Mecânica
Blade Runner
12 macacos
2001
Vanilla Sky
Iluminado
Cavaleiro sem cabeça
Extermínio
Profecia

Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Rock, poesia e zumbis.

Música boa tem poesia, não há como se apoiar apenas nos sons, mesmo que eles sejam do bom e velho rock'n roll.
- O rock é música boa e poesia ruim! - Sentencia há muito meu pai, roqueiro sábio.
E ele tem razão. Por isso reverencio quando conheço uma banda com boa poesia. também a divulgo, principalmente para agraciar os amigos e admiradores.
Se o rock pulsa na veia no mesmo ritmo que a bateria vibra no coração, há o caudaloso turbilhão sonoro que delicia aqueles de espírito jovem. É o puro êxtase ouvir um bom rock. Conheçam Exxótica.
Vida é a minha preferida. Uma espécie de tente outra vez mais hard. Eu mesmo também é ótima, trata de auto-conhecimento. Uau, rock com conteúdo.
Os caras tem cancha, fazem cover do Kiss há tempos, sabem unir o peso da guitarra com duas vozes e boas frases. Simplesmente empolgante!

A poesia é anti-econômica. E por isso a mais autêntica arte. Poesia não se vende, portanto não se rende ao mercado. tudo livre ao inspirado, que poeta sem vender para vencer. Hehehe. Poesia tá em tudo.
Conheci o Anderson H pela interNerd, ou melhor, não conheci, só o li. Ele é um poeta diferenciado. Dos bons. Chamei-o de lado e perguntei:
- Cara, não quer que eu edite um ebook para você?
Está aqui o resutado. Divirta-se.

Em Breve: Estrada para o Infinito - entre mortos-vivos e amazonas.

O que você sonha antes de dormir? Já sonhou com mortos-vivos?
Num mundo dominado por zumbis, em que a moto é a sua única companhia, um problema numa noite quente. O dia seguinte revelará o perigo sedutor da Vila das Amazonas.

Enquanto isso:
conheça o Zombie Walk Brasília 2007 , o dia em que os mortos andarão na capital da res pública. Participe.

Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Mais filmes excelentes

Também gosto do "Coração Satânico", citado por Heavy, mas principalmente sua lembrança de "Os Outros" foi fantástica. Incrível filme, dos melhores do gênero.
"Alien" está em todas as litas até agora. Merecidamente.

Dez mais do Heavy

Dez mais do poeta e escritor Sérgio Roberto de Oliveira [Heavy]. Ele mandou uma ordem aleatória, mas vou considerar uma ordem "freudiana", já que ele estabeleceu uma sequência, de qualquer maneira.

Inteligência Artificial
Planeta dos Macacos (apesar de lembrar da regravação, trata-se da primeira versão o da lista)
12 macacos
Blade Runner
Janela Indiscreta
Coração satânico
Iluminado
Os outros
2001
Alien (I)